Inovação aberta e design thinking na prática: A gravidez na adolescência em Minas

Meus últimos meses aqui em Minas foram dedicados à gravidez na adolescência, tema que escolhemos para conduzir um processo de inovação aberta com técnicas de design thinking; Esse é o objetivo do Movimento Minas.

Trabalhamos de acordo com a metodologia do MM, ou seja: Escolhemos um tema e ouvimos pessoas envolvidas com o assunto para identificar um problema. A partir daí, convidamos a sociedade para dar ideias para resolvê-lo. Testamos as ideias dadas e avaliamos a viabilidade de sua implantação. Tínhamos gastado muito tutano para montar essa metodologia e era hora de colocá-la em prática!

O tema escolhido para rodar a metodologia foi a “gravidez na adolescência”. Pela primeira vez na vida, pude mergulhar de cabeça em um problema social de verdade, na ponta; Saí da frente do computador e fui pra rua, para ouvir os envolvidos de fato. E foi um baita soco no estômago. A primeira adolescente grávida que entrevistei tinha uns 15 anos e sua barriga ainda era discreta, mas perceptível. Ela estava tão desconfortável quanto eu, e, durante a conversa, falou que tinha que ir rapidinho na rua para falar com alguém e desapareceu. No final do projeto, já conseguia discutir amamentação e opções de parto com as adolescentes, hehe…

Esse projeto trouxe insights muito interessantes. O principal é o de que a gravidez na adolescência não é necessariamente um problema; Em muitos dos casos que vi, é a realização de um dos poucos sonhos possíveis de serem realizados na vida dessas pessoas: o da maternidade. Entretanto, por que elas tem poucos sonhos possíveis de serem realizados? Políticas de juventude, de educação, de cultura, de emprego talvez sejam necessárias, desenhadas de forma transversal, integrada, e com abordagem voltada especificamente ao adolescente. O desafio é gigantesco. Ao envolver aspectos morais, como a discussão sobre sexualidade, papel da mulher na sociedade, dos direitos da mulher em relação ao seu corpo e do preconceito e do papel da família, a discussão fica ainda mais complexa.

A gravidez foi o pano de fundo para testarmos a metodologia de inovação aberta que utiliza o design thinking. Como chamar para participar? Como mobilizar? Como compilar e testar as ideias dadas? Foi bem complexo e há uma série de aprendizados, apresentados neste prezi:

O relato completo está disponível em: http://issuu.com/movimentominas/docs/relato-reduzido?mode=window ou abaixo:

Para mim, o maior aprendizado desse processo talvez tenha sido encarar tudo isso com menos arrogância, a ouvir e respeitar diferentes opiniões, a tentar ver as coisas sob outras perspectivas, a desenhar soluções com base na necessidade dos envolvidos.

Pra terminar, uma canção de ninar cantada por uma banda mineira…

Thanks: Cícero Marra, Caio Werneck (Gerente do Projeto), André Barrence (Presidente do Escritório de Prioridades Estratégicas do Governo de Minas), Luis Algarra, Johelma Pires e equipe, Michelle Pripas e ONG Casa de Mãe, Tatiane Miranda, Centro de Referência do Adolescente (Prefeitura de Vespasiano), Renata Lucindo e ONG Manjedoura.

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2 respostas em “Inovação aberta e design thinking na prática: A gravidez na adolescência em Minas

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