A Internet aberta… e tudo o que vem depois

Participei, entre os dias 22 e 24/6/2014, da conferência “The Open Internet… and Everything After”. O convite foi feito pelo grupo Civic Media do MIT Media Lab e pela Knight Foundation (com despesas da viagem à Cambridge-EUA pagas por eles).

A conferência contou com discussões de altíssimo nível sobre o futuro da Internet aberta, principalmente no que se refere ao conflito entre liberdade e controle.  Considerando que a Internet é parte do nosso dia-a-dia, se por um lado está deixando de ser pública, anárquica e sem monitoramento (ou seja, tendência contrária às previsões feitas por visionários como Nicholas Negroponte, nos anos 90), por outro, é necessário discutir seu papel como mídia independente, que contribui com participação e na discussão e resolução de problemas públicos.

No centro da discussão estavam as formas como a Internet mudou (ou não) o mundo e sua importância para a cidadania e interesses cívicos. Ouvi muitas palavras-chave como neutralidade de rede, controle, vigilância, censura, soberania, transparência, ethos da Internet, coding, mobile, etc.

A seguir cada uma das palestras e discussões, com pequenos comentários:

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Engajando comunidades por meio de governança, com informações inteligentes – Susan Crawford

A Susan Crawford é professora de propriedade intelectual em Harvard, assessora do Presidente Obama em políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação e autora do livro “The Responsive City: Engaging Communities Through Data-Smart Governance”. Sua palestra foi como cidades e cidadãos pelo mundo estão utilizando informação para o engajamento democrático, considerando diversas questões sobre política de abertura.

Para ela, há preocupações tanto em relação quanto à privacidade e segurança quanto à necessidade das cidades em prover melhores serviços a seus cidadãos. Por isso, as cidades ainda estão em um estágio primitivo em relação ao uso de tecnologias.

Ela deu diversos exemplos de como algumas cidades usam dados e informações para melhorar a relação entre os cidadãos e os governantes, e, para ela, quanto mais as cidades se abrem para transparência e utilização de dados, mais a democracia é fortalecida. Entretanto, há diversos tipos de tensões nesse campo, sem respostas certas, e é necessário um maior nível de consciência cívica para lidar com elas.

Relato: http://civic.mit.edu/blog/kanarinka/responsive-cities-susan-crawford-at-the-2014-knight-civic-media-conference

Apresentação: http://prezi.com/p7wp2he37ien/responsive-city-at-mit-knight-civic-media-conference/#

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Lightning Talks

O Matt pesquisador Matt Carrol falou sobre o futuro da mídia e das notícias, dados acessíveis, crescimento do mobile, atomização das notícias:

O pesquisador Rahul Bhargava falou sobre seu projeto Data Therapy e sobre como utilizar dados e informações de uma forma compreensível para a população – nem todos são letrados para interpretar informação:

A pesquisadora Alexis Hope falou sobre seu projeto Fold, sobre uma tecnologia para entender melhor o contexto de uma história quando ela está sendo contada:

O relato das três palestras pode ser encontrado aqui.

Foram apresentados ainda dois projetos muito interessantes de  bibliotecas públicas que estão oferecendo wifi gratuito e atividades para as comunidades: “Check Out the Internet” (Biblioteca pública de Nova Iorque) e “Internet to Go” (Biblioteca pública de Chicago): Relato aqui.

O projeto Code 2040 abre caminhos para minorias pouco representadas para garantir sua liderança na economia da inovação, basicamente ensinando programação para jovens (aprender programação hoje em dia equivale a aprender uma segunda língua uns anos atrás).

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Vencedores do Knight News Challenge:

A Knight Foundation patrocina uma série de projetos de mídia cívica e alguns deles foram apresentados na conferência. Eles estão relacionados com temas como transparência, liberdade na rede, accountability de empresas provedoras de serviços de internet e mecanismos contra censura.Os projetos são: Global Censorship Measurement (Medidor de censura no mundo);Online Censors (Censores Online); Ranking Digital Rights (Ranqueando direitos digitais) e Textsecure: Who are the Gate Keepers (Quem são os porteiros?).  Há relatos sobre os projetos apresentados aquiaqui e aqui.

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Internet aberta e participação

Uma seção da conferência apresentou projetos sobre participação na Internet aberta. Basicamente, a Internet reduz custos de participação e facilita a cooperação entre pessoas para que trabalhem em conjunto. Entretanto, o caminho é longo e ainda há muito a aprender em relação a cooperação online. Fiquei muito feliz em ver que o Marco Civil da Internet foi uma das best practices apresentada. O relato dessa seção está aqui e os projetos apresentados foram:

  • Marco Civil da Internet – A Carolina Rossini (Public Knowledge Foundation) conta a história dos bastidores da aprovação do nosso Marco Civil e sua importância ao possibilitar a participação cívica da sociedade brasileira  na Internet.
  • The Web We Want – A Renata Avila explica o projeto, que defende uma internet universal, gratuita e aberta.
  • Promise Tracker – Alexis Hope, Heather Craig e Chelsea Barabas explicaram o status do propjeto, que já foi abordado neste blog aqui
  • Action Path – O Erhardt Graeff apresentou uma ferramenta baseada em geolocalização para facilitar o engajamento e a reflexão de questões cívicas

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A segunda chance da Internet livre

Essa seção discutiu os princípios da Internet aberta. As perspectivas de uma Internet livre e aberta dificilmente serão garantidas. Como fazemos que os princípios da Internet aberta (padrões abertos, livres e públicos) sejam relevantes para os usuários atuais e para os dois terços do mundo que se irão juntar a Internet durante a próxima década? Que tipo de design, arquitetura e governança mudanças são necessárias para entender o discurso em torno de princípios para a web aberta?

Relato: http://civic.mit.edu/blog/willowbl00/the-open-webs-second-chance

Vídeo: http://livestre.am/4SYBe

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Por que a Internet livre é importante

 O Alberto Ibargüen, presidente da Knight Foundation, explicou nessa seção por que acredita que a internet livre é importante. Ele questiona: Qual é o principal desafio que temos que desenhar para nos motivar a manter a Internet livre? Como podemos dar escala a esse trabalho? Que ferramentas precisamos para que qualquer pessoa possa usar a Internet de forma segura? O que precisamos para construir uma Internet mais forte?

Na ocasião, ele apresentou os projetos que a Fundação Knight irá apoiar.

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Geração Y (millenials) e as notícias

Essa seção muito interessante discutiu sobre o comportamento dos jovens da Geração Y: Como se comportam, como consomem informação, qual sua relação com relevância e frugalidade, como reconhecem valor na Internet. Relatos aqui e aqui.

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Vigilância e a Internet aberta

Revelações sobre a extensão da vigilância do governo dos EUA de comunicações digitais mudaram o debate sobre a governança da Internet, a privacidade on-line, bem como o papel da internet como uma esfera pública. Em uma era pós-Snowden, como podemos proteger revelações de ativistas de direitos humanos? Das fontes jornalísticas? O que significa vigilância para populações vulneráveis​​? A vigilância irá mudar a Internet como a conhecemos – de uma única rede conectada, a uma rede onde a soberania nacional é cada vez mais importante?

Relato aqui

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A Internet como antídoto para o fracasso da mídia tradicional: O jornalismo cívico na Turquia

O jornalismo cívico pode ser uma reação eficaz a censura do governo e as disputas políticas? A pesquisadora Zeynep Tufekiçi começou a fazer estas perguntas enquanto estudava Tunísia e Egito durante a primavera árabe. Relato aqui

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Projetos do grupo Civic Media

Sou fã: projetos desenvolvidos atualmente pelo grupo do Civic Media, do MIT Media Lab.

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Colocando os usuários em primeiro lugar

Essa parte da conferência abordou a forma como as instituições podem/devem focar na necessidade dos seus públicos ao desenvolverem seus projetos, especialmente considerando a era digital.

Relato aqui 

Vídeo: http://www.livestream.com/knightfoundation/video?clipId=pla_18dc9fd7-7151-4380-9992-4ea4ea287bb0

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Os princípios do MIT Media Lab

Joi Ito, diretor do MIT Media Lab, apresentou os princípios da instituição, responsáveis pela cultura de inovação e bastante baseados na própria cultura de Internet: http://civic.mit.edu/blog/mstem/joi-itos-9-principles-of-the-media-lab

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Os partidos não conseguirão manipular as redes sociais

Ótima fala do FHC sobre a relação das redes sociais na Internet com a participação política. Destaco alguns pontos:

  • Hoje os jovens tem uma profunda desconfiança da política. Como juntar a democracia representativa com a espontaneidade da vida?
  • Quando a decisão só passa por canais institucionais, ela não tem legitimidade, as pessoas não se sentem partícipes. As grandes questões brasileiras não estão sendo discutidas, estão sendo realizadas.
  • Em que momento o que flui na rede social terá ligação com o que flui no Congresso? Preencher esse hiato não depende da rede social, mas das instituições.
  • Como aproximar a enorme quantidade de pessoas que opina (e maior ainda que não opina) à vida política do país?
  • Há um enorme potencial das redes sociais para protestar, para dizer o “não”. Falta o potencial delas para dizer “e então o que?”.

Redes sociais nos cartuns

O João Montanaro é um cartunista de uns 15 anos que já faz um trabalho de gente grande. Admiro demais… Ele tem umas sacadas (como um bom cartunista não pode deixar de ter) que observam o comportamento da sociedade, com bom humor, muito legal…

Alguns sobre como a tecnologia e as redes sociais na Internet estão se tornando onipresentes:

Redes sociais no desenvolvimento comunitário

Fui convidado para dar uma humilde entrevista na Rádio Jaraguá FM (87,5 FM), uma rádio comunitária no bairro do Jaraguá, em São Paulo. Falei sobre como as redes sociais na Internet podem contribuir para o engajamento e o desenvolvimento comunitário.

Foi uma experiência muito bacana! A sensação foi que uma hora de entrevista passou em cinco minutos… Falei sobre o que eram redes sociais, dei exemplos de mobilização (como o caso da “gente diferenciada”, que mobilizou 50.000 pessoas em um dia), expliquei como questões do bairro poderiam ser discutidas na Internet (nas comunidades do Orkut, grupos do Facebook, etc.), e de formas como os governos poderiam aumentar a inclusão digital. Algumas fotos:

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Curti demais!!… Além da entrevista em si, a idéia da rádio comunitária é muito interessante…

Para entender as mídias sociais

Publicado originalmente em: http://paraentenderasmidiassociais.blogspot.com/2011/04/download-do-ebook-para-entender-as.html

Confesso que não li inteiro, mas pela leitura diagonal e pelos autores, me pareceu bem interessante…. Apesar de resistir um pouco à palavra “mídias” e preferir “redes” sociais…

Obrigado Cepam

Na semana passada, após quase 3 anos, deixei de trabalhar no Cepam. Por se tratar de um órgão público pequeno, foi uma grande escola pra mim, já que tive a oportunidade de conhecer o trabalho do estado a partir de dentro da máquina. E por contar com chefes muito inovadores, foi uma experiência muito rica e intensa.

Alguns projetos que tive a oportunidade de viabilizar nesse período:

O Perfil dos Prefeitos do Estado de São Paulo:

Trata-se de um estudo que traça o perfil dos prefeitos paulistas, abrangendo aspectos pessoais (idade, tempo livre, etc.), experiência profissional (formação, troca de partido, tempo de carreira, eleições anteriores, etc.) perspectivas (sonhos, prioridades no mandato, etc.). Foram entrevistados 624 prefeitos de municípios paulistas, na época recém-eleitos, dos governantes paulistas. Além de conhecer um pouco mais da realidade dos governos locais, de investir muitas madrugadas e de rodar o Excel na capacidade máxima, tive a feliz oportunidade de trabalhar com a equipe do Cebrap e de participar de todas as etapas da parte de editoração de uma publicação, algo novo pra mim.

Informativo Cepam 2010:

Publicação que já está na 13ª versão, com muitas informações de TOODOS os 645 municípios paulistas (Prefeito e Presidente de Câmara, com partidos, endereço, telefone, site, email, IDH, receitas, população, programas estaduais nos municípios, etc, etc) + Governo do Estado de SP + Governo Federal. Trabalho do cão que envolve muita gente e muito esforço. O plus da versão de 2010 é o aplicativo para iPhone, que disponibiliza as mesmas informações da publicação no celular da Apple, de forma gratuita para usuários do aparelho, e atualizadas online.

Wikis:
As wikis Repertório de conceitos municipais e Perguntas e Respostas em temas municipais organizam o conhecimento tradicionalmente produzido no Cepam em ferramentas mais modernas, gratuitas e fáceis de usar. Qualquer usuário tem acesso ao que é produzido pela instituição, que atende mais pessoas. Além disso, o usuário pode participar e complementar o conteúdo do Cepam.

Cepam 2.0:
Fazer com que uma instituição pública tivesse presença forte na web 2.0, com diversas contas institucionais em redes sociais como Twitter e Facebook, fortalecendo não só a comunicação mas principalmente a interação com sociedade (o chamado Governo 2.0) foi um dos maiores desafios. Quebras de paradigma imensos (inclusive meus) foram necessários, mas hoje as redes sociais do Cepam estão ativas, e espero que se consolidem nas próximas gestões. O carro chefe é a Rede CIM – Célula de Inovação do Município, que é uma rede social aberta e livre, para gestores públicos e pessoas interessadas em questões municipais, com mais de 3.600 membros representando mais de 610 municípios.